Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar."
15 de agosto de 2009
Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar."
14 de agosto de 2009
13 de agosto de 2009
Tenho tanto para dizer, para te dizer...tanto para mostrar, para te mostrar...fica sempre tanto por dizer.
Saudade...a saudade pode ser tão dissimulada quando deixa a mágoa das recordações felizes, aquelas que ficaram suspensas no passado. Perco-me nos labirintos das memórias, evoco as mais perfeitas lembranças...o teu cheiro, o contorno dos lábios, o riso, a respiração, as conversas...a saudade torna tudo tão perfeito.
Vejo-te no meio da multidão mesmo sabendo que não estás...Coisas banais como uma garrafa de cerveja na estrada fazem-me lembrar de ti, das nossas histórias, das nossas brincadeiras.
Como se apagam as memórias felizes que sabemos que não podemos voltar a ter?
Como esquecemos que fomos felizes?
Como?
Talvez, quando voltares, me possas responder a estas e a tantas outras perguntas...
Está a ser mais difícil do que imaginei...queria tanto sentir o teu abraço!
Volta depressa, traz as memórias felizes e os momentos bons...volta e promete-me que não foi um erro...
24 de junho de 2009
Mudança
"Há duas características principais entre o vencedor e o perdedor. O perdedor faz o difícil parecer impossível, e o vencedor faz o impossível ser apenas difícil porém realizável." (Autor desconhecido)
8 de junho de 2009
Há bocado fez amor sem realmente o fazer. Deixou-se estar quieta enquanto ele a abraçou, lhe acariciou os seios e depois, devagar, lhe escalou o corpo com beijos e um pénis estranhamente erecto. Com o tempo os beijos dele foram perdendo o sabor, pensou ela enquanto contava os traços de luz desenhados na parede. Ele veio-se...e depois foi-se, engolido pela prescrição que o obriga a ir trabalhar todos os dias às nove da manhã.
Enfraquecida, a luz vai morrendo devagar na parede do quarto depois de ter passado pelos buracos da persiana. Era tão bom que o dia de hoje pudesse ser diferente dos outros. Mas não é, e depois desta contemplação da morte natural dos raios de Sol, o dia dela não será muito diferente de uma receita médica qualquer que manda tomar medicamentos a horas exactas.
Há uma normalidade nesta vida que não pode ser normal. É a normalidade de casar, ter filhos, comprar uma casa e talvez um carro sem haver um depois. É como se esse fosse o último estágio da vida e, talvez por isso, ela tenha sorrido tanto no dia em que se casou. Eram os últimos sorrisos. Depois as conversas embriagadas de amor transformaram-se em discussões sobre a conta em que deve cair a factura da luz e do gás, o sonho de ter filhos transformou-se numa prisão cheia de fraldas sujas e choros de bebé a meio da noite e, por fim, os quarenta e tal canais por cabo substituíram as longas noites passadas com os amigos.
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Ele já chegou ao escritório mas ainda não ligou o computador. Não consegue deixar de pensar na mulher que lá fora, enquanto o semáforo para peões estava vermelho, olhou para ele do outro lado da rua. Depois cruzaram-se na passadeira e sorriram um ao outro, ela com um brilho nos olhos de amêndoa e ele com timidez. E por falar em passadeira, foda-se, a vida não tem sido mais do que isso: uma passadeira entre duas margens: a da casa e a do emprego. Tudo o resto é passagem. Tudo o resto é paisagem.
Ela já aqueceu o leite do miúdo no microondas durante doze segundos na potência máxima, já lavou os lençóis onde ele mijou mais uma vez durante a noite. Já os pôs a secar e já tirou do frigorífico a carne para descongelar até à hora do jantar. Só ainda não se ligou a ela mesma. Não consegue deixar de pensar em como a sua vida se transformou apenas numa margem: a da casa, e tudo o resto está na outra margem tão distante.
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Os insectos povoam os candeeiros redondos da rua em órbitas incertas. Incerta é também a noite mas, pela primeira vez, isso sabe-lhes bem. Ele telefonou e inventou uma desculpa qualquer para não ir jantar a casa, ela ganhou coragem e deixou o filho na vizinha. Talvez daqui a pouco se cruzem numa passadeira qualquer e sorriam um para o outro como já não se lembram de o fazer. Talvez até percebem que têm vivido em margens opostas. Talvez...entretanto, a carne em cima da bancada da cozinha já está descongelada e esquecida. »
2 de junho de 2009
E quando?
Quando a vontade de acordar e sair da cama desaparece?
Quando sorrir se torna difícil?
E quando só queremos fugir, desaparecer uns tempos, mesmo sabendo que quando voltarmos os pesadelos e medos continuam a assombrar-nos?
Quando as lágrimas já secaram e a frustração se apoderou do nosso corpo?
Quando queremos ser felizes mas não sabemos como ou o que fazer?
E quando a solidão se torna tão insuportável que ameaça levar ao desespero?
Quando queremos exteriorizar os sentimentos e não conseguimos?
Quando a máscara se torna tão perfeita que já não sabemos distinguir o que é real?
E quando já nem sabemos onde encaixamos na nossa própria vida?
E quando um simples abraço é suficiente?
E quando?
"Hoje eu estou mesmo assim, com uma carência sem fim."
1 de junho de 2009
O tango
O sítio estava cheio, a escuridão era quase total e, o barulho insuportável...mas, eles encontraram-se.
A criatura, postura discreta, de olhar sereno e lábios vermelhos luxúria.
A pessoa, de olhar misterioso e porte altivo, os lábios a expirar desejo.
Sem promessas, existem tantas noites para eles...
Um beijo pessoa